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Dedico esse post a todos que sofrem com manias insuportáveis.

Quem me conhece um pouco mais intimamente sabe que eu nunca fui a cara da organização: quarto, roupas, materiais ou mesmo agenda sempre de qualquer jeito, a deus dará. Mas quem não ouviu "minha bagunça é organizada, eu entendo as minhas coisas"? Pois é nessa categoria que eu me encaixo. Apesar do meu aparente desleixo com algumas coisas, eu sou extremamente criteriosa e quase "cismada" com tudo o que é meu.
Tenho um jeito muito específico de organização e eu prefiro viver num caos completo até que eu mesma possa colocar tudo em ordem. É alguém de fora mexer para eu entrar em parafuso.
Minha mãe não lava ou pendura ou guarda minhas coisas há anos! Ela se cansou de me ouvir reclamar de "mas você colocou a roupa no varal com o prendedor no meio! Não pode usar prendedor, mãe..." ou "mas você misturou todas as blusas de manga com as regatas e as estampadas..." e hoje em dia só deixa tudo em um bolinho no meu quarto até que eu tenha tempo de guardar. Faxineiras não entram no meu quarto se não for só para varrer o chão e tirar o pó. Te juro que prefiro assim.
Outra coisa que não passa pela minha cabeça é misturar minha bagunça com a bagunça dos outros, é de me deixar desnorteada! Não consigo receber visitas (nem mesmo o namorado ou os pais) se tiver um copo sujo na pia, ou a pia molhada, ou lixo no banheiro. Primeiro que eu me sinto exposta (?) e incomodando a pessoa, segundo que ela vai "bagunçar" em cima da minha bagunça e... sim, eu acho que eu tenho problemas.
Na experiência de 2011, eu já estava quase ficando menos neurótica com essas coisas, até o episódio da barata. Dali para frente as coisas pioraram. Voltei a morar com os pais, mas a casa era grande e o espaço que era meu era só e somente só meu, tudo do meu jeito, e como eu raramente recebia alguém, não tinha nem que me preocupar em lidar com isso.
Agora que eu tenho a minha casinha de novo, parece que essa obsessão voltou pior: eu me desacostumei a ter alguém para dividir o espaço comigo (aliás, eu fiz o diabo para poder morar literalmente sozinha, como da outra vez).
Quem tem sofrido é o namorado: mal chega em casa e eu começo "amorzinho, não esquece de deixar suas coisas todas juntas", "fofinho, já tira o sapato para não sujar, piso branco fica com uma cara de sujeira..." Nem lavar a louça o coitadinho pode, já que se a louça não for lavada do jeito que eu acho melhor, eu vou e faço tudo de novo.



Eu tenho percebido o quanto isso é desagradável para os outros, que ficam muito menos a vontade do que se estivesse bagunçado, e para mim que, de verdade, não consigo ter paz. É como se um monte de formigas começassem a correr pelo meu corpo e só parassem quando eu começasse a reorganizar tudo como "deve ser", é uma cisma de verdade, é quase (?) um TOC. Mas dizem que o primeiro passo para corrigir um erro é reconhecê-lo.

Resolução de casa nova: ser menos louca e curtir mais o espaço que foi tão difícil de conquistar, afinal, a vida é curta...
Viver a um tem suas inúmeras vantagens que me fazem falta todo dia: a independência, a rotina própria, não ter que conviver com as diferenças de hábitos, a queda drástica nos conflitos familiares...

Mas tem coisa que não tem: bolo de cenoura com raspas de limão e cobertura do melhor chocolate meio amargo feito pela Mami, com um cafezinho fresco cheirando deliciosamente bem na cozinha. Isso não tem.


Um brinde às vantagens de viver em família e de ter uma mãe caprichosa! :)

P.S.: Esse bolo foi feito sem glúten, estamos nessa onda em casa, logo mais eu conto a história.

Apesar das resmunguices, das desgraças, das pias e vasos sanitários para limpar diariamente, pouco tenho do que reclamar, esse praticamente-um-ano morando sozinha me amadureceu imensamente por dentro e por fora. Não foi o primeiro ano da minha vida estando por conta, já fiz intercâmbio, já ralei bastante para sobreviver nesse mundão de meu deus, mas esse ano foi especial, foi em 2011 que eu experimentei a vida de casada aos finais de semana, que eu aprendi a respirar fundo e ir atrás de uma barata antes de começar a chorar, que eu aprendi a cuidar com carinho e capricho do que eu conquistei com o meu suor, afinal, nada caiu do céu. Em 2011 eu descobri que além de quarto, banheiro e cozinha, eu moro no meu corpo, eu tenho que cuidar da minha saúde para poder cuidar do resto, me forcei a comer frutas, a cozinhar legumes, a reduzir a gordura, muito menos por razões estéticas do que por responsabilidade com o emprego e a faculdade. Eu aprendi a fazer risotos, lasanhas, pato! E quase aprendi a jogar videogame.


A Dona Susan Miller (astróloga ban-ban-ban) andou falando sobre eclipses e revoluções na vida dos librianos, não que eu tenha dado muita atenção, geralmente presto mais atenção nos dias mais propícios a romance, mas parece que eu começo a sentir os efeitos dos astros sobre a minha vida. Ou de Deus, ou da Mãe-Natureza, ou dos meus próprios atos. Cada um entende como quer.

2012, o ano do fim do mundo, começou com um fim para mim, o fim dessa fase maravilhosa e difícil que foi "viver a um". De repente, de todos os lados eu estava sendo bombardeada por falta de saída, senti meu tapete sendo puxado com força e me desesperei. Precisei de um momento para parar e refletir sobre prioridades, tempo, vontade, futuro, todas aquelas decisões difíceis que a gente encontra pelo caminho depois que começa a cuidar do próprio nariz e foi aí que eu percebi que orgulho não me ajudaria em nada agora.

A questão é: o trancamento da faculdade para o intercâmbio e a troca da habilitação no meio do curso me atrasaram imensamente, trabalhar em absolutamente todos os horários vagos, passar duas horas no trânsito, chegar em casa, fazer comida, cuidar de mim, organizar compromissos e estudar pelo menos três horas de gramática alemã simplesmente não cabiam em 24h. E foi aí, no meio do furacão, que eu tive que escolher dar um passo para trás para dar dois para frente.


Mas vamos lá, sendo bastante otimista, a gente faz escolhas para os nossos gastos: eu escolhi morar sozinha, pagar aluguel, supermercado, convênio médico, farmácia, transporte, alimentação, roupas... uma delícia! Mas ao mesmo tempo eu excluí qualquer possibilidade de fazer academia, viagens, passeios aos finais de semana, e afins. Por um ano eu só quis chegar em casa e simplesmente dormir - comer era luxo, cozinhar para ter que limpar estava fora dos planos -, aos finais de semana eu precisava ficar com o namorado, dormir e estudar, se desse. E ficar com o namorado era basicamente dormir nos primeiros quinze minutos de qualquer filme. Pelos próximos seis meses/um ano eu opto por estudar decentemente, fazer exercícios, trabalhar moderadamente fazendo o que eu gosto, curtir a vida no interior, aproveitar os finais de semana com criatividade, namorar muito e comer muita comida de mãe.

E, claro, recarregar as energias para dar os tais dois passos para frente.

Há cinco meses consegui tornar realidade um dos maiores sonhos que eu tive na vida: morar sozinha. Não bastava apenas sair de casa, criar independência dos pais, morar em uma república, não. Tinha porque tinha que ser so-zi-nha. Na imaginação era tudo lindo, claro: um apartamentinho bonito que, apesar da minha mania de bagunça, seria superorganizado, cheio dos mais variados utensílios e cacarecos e penduricalhos. Não haveria louça que não se lavasse sozinha, chão que não aspirasse a própria poeira, roupa que não aparecesse limpa, passada, dobrada ou pendurada cheirando ao amaciante que a mami usa. Bom, desnecessário dizer que não rolou. Eu tenho que fazer tudo isso em algum momento do meu minúsculo dia de 24 horas: trabalho de manhã e à tarde, faculdade à noite, casa de madrugada (disputando com os seriados). Uma vida não tão fácil, mas não impossível. Sabendo que não sou a única mortal a encarar esse mundão hostil, decidi criar um blog que seja também um espaço para trocar dicas com quem, como eu, daria um braço por um “Guia Completo de Praticidades Para Pessoas Que Vivem Sozinhas”.



Meu principal drama é cozinhar. Já não nasci lá com a famosa “mão” para cozinha e o cansaço não ajuda, houve dias seguidos em que eu passei almoçando Doritos e jantando Mendorato, mas venho lutando diariamente por uma alimentação, senão saudável, pelo menos menos trash. Então elaborei um Top 5 do que eu considero indispensável à vida de quem come sozinho:

  1. Motivação. Motivação é uma das muitas palavras-chave do mundo da culinária-solitária. “Só eu vou comer” e “vou ter que limpar tudo sozinho”, segundo as estatísticas, ocupam o topo de justificativas furadas para se apelar para uma meia quatro queijos, meia portuguesa. Mas, agindo como pessoas conscientes que somos, vamos pensar em saúde, economia e em melhorar as habilidades na cozinha. Se todos esses argumentos não funcionarem para você, amiga(o) dona(o) de casa, pense nas crianças na Somália.
  2.  Praticidade é essencial para quem cozinha depois de um dia cheio. Quanto mais rapidez e praticidade ao realizar uma tarefa, maiores as chances de você se conformar em repeti-la.
  3. Outra coisa importante de se ter ao cozinhar é boa memória, ou pelo menos memória o bastante para lembrar que o macarrão ainda está cozinhando antes que você tenha que comer mingau de trigo a bolonhesa, o que acaba acontecendo com certa frequência aqui em casa. Sendo assim, evite usar o seu facebook/twitter/bbm/msn/todasasanteriores enquanto cozinha. Use esses recursos posteriormente, como distração caso sua comida tenha virado gororoba, quando a gente come na frente do computador, nem sente o gosto, não é mesmo? Ah! A tecnologia...
  4. Sua própria listinha de receitas que deram certo (e que dariam em qualquer circunstância!) para serem usadas em situações emergenciais de absoluto cansaço ou preguiça demais para pensar em algo.
  5. , muita fé, porque tem dias...

Nos próximos posts vou dividir receitas que eu adaptei para que pudessem ser ranqueadas entre Ultra Prático (UP), Super Prático (SP), Prático (P) e Pouco Prático (PP), agora eu tenho que apelar para a minha própria listinha porque já é quase noite e eu só comi bolachinhas de coco da Nestlé.

Beijos, pães e queijos.